Um carro premium perde, em média, de 20% a 30% do valor nos primeiros 24 meses. Num veículo de R$ 500 mil, isso significa algo entre R$ 4 mil e R$ 6 mil evaporando por mês, antes de qualquer seguro, IPVA ou revisão. É o maior custo do carro, e o único que não chega em boleto.
O custo que não chega em boleto
Parcela, seguro e IPVA aparecem na fatura, então todo mundo coloca na conta. A depreciação não aparece em lugar nenhum. Ela só se materializa anos depois, no dia da revenda, quando a proposta da loja vem bem abaixo do que o carro custou. Nesse momento a perda inteira é cobrada de uma vez, e não tem negociação.
Conferir o tamanho dessa perda é simples. Abra a tabela FIPE, compare o preço do seu modelo zero km com o valor do mesmo carro com dois anos de uso e divida a diferença por 24. Esse é o aluguel invisível que o dono paga para ser dono.
A conta por faixa de preço
| Valor do carro zero | Perda típica em 24 meses | Perda por mês |
|---|---|---|
| R$ 300 mil | R$ 60 mil a R$ 90 mil | R$ 2.500 a R$ 3.750 |
| R$ 500 mil | R$ 100 mil a R$ 150 mil | R$ 4.100 a R$ 6.250 |
| R$ 700 mil | R$ 140 mil a R$ 210 mil | R$ 5.800 a R$ 8.750 |
| R$ 1 milhão | R$ 200 mil a R$ 300 mil | R$ 8.300 a R$ 12.500 |
As faixas consideram desvalorização de 20% a 30% em dois anos, a média do segmento premium. O número exato varia por modelo, versão, cor e quilometragem. Vale consultar a FIPE do seu carro para fazer a conta com precisão.
Por que em reais o premium perde mais
- A base é maior. O mesmo percentual aplicado sobre meio milhão dói muito mais do que sobre R$ 100 mil.
- Opcionais não voltam. Pacotes de fábrica que custaram dezenas de milhares somem da avaliação na revenda.
- O público de revenda é menor. Menos compradores para um usado caro significa menos concorrência pela sua oferta.
- As gerações mudam rápido. Cada facelift e cada nova geração empurram o valor do modelo anterior para baixo.
De quem é a depreciação num carro assinado
Da locadora. Comprar bem na negociação reduz a perda, mas não a elimina, porque a queda mais forte acontece justamente nos dois primeiros anos, o período em que o carro é novo. Na assinatura, você paga pelo uso do carro e a perda de valor fica do outro lado do contrato. A mensalidade é fixa, conhecida e comparável, e no fim do prazo você devolve o veículo sem descobrir surpresa nenhuma na avaliação. A lógica completa dessa troca está em Como saber se a assinatura vale a pena.
